nossaquesapao

joined 2 years ago
[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 2 points 1 day ago* (last edited 1 day ago)

Claro. É um pouco difícil falar de forma específica, porque são muitas empresas grandes em muitos aspectos da vida, e venho nesse processo há muito tempo. Pra muitas das coisas, há alternativa direta, mas pra outras não, e a aternativa pode ser fazer outra coisa no lugar, e isso é um conceito que muita gente não gosta. Pr aoutros casos, simplesmente não há como remover a dependência, mas há pelo menos como reduzir a frequência de uso.

Tentando ser mais específico, vou tentar listar uns exemplos. Mas tudo depende também de como é nossa vida, onde moramos, no que trabalhamos, etc. Porque algumas coisas podem ser mais fáceis ou difíceis, a depender. Essas foram algumas coias que fiz:

  • eu costumava comprar muita coisa em marketplaces, como mercado livre, shopee e cheguei até a usar a praga da amazon, mas percebi que muitas das coisas que comprava estão disponíveis pra compra direta a partir dos sites oficiais das empresas (muitas coisas vinham com o site na própria embalagem). Venho então comprando de alguns armazéns, empórios, mercados e empresas pequenas no geral, que vendem pela internet e entregam normalmente. Com isso, ainda estou economizando dinheiro e percebi que tem nada de grátis no frete grátis que os marketplaces anunciam. Também passei a comprar mais localmente e a sair mais de casa
  • Andei comprando lanches pelo ifood também, e hoje até sinto vergonha disso kkkk. Simplesmente, tudo lá é muito mais caro do que nas lanchonetes, e é a união do lado ruim de comer em casa (não sair e não ter uma experiência diferente) com o lado ruim de comer na rua (comida menos saudável). Parei com isso, excluí a conta e nem passa pela minha cabeça a ideia de voltar. Agora, pra lanchar em casa, compro lanches de padaria ou mercado, e pra fazer algo diferente, vou a algum lugar comer
  • Comecei a evitar industrializados ao máximo. Até aprendi mais ou menos a cozinhar, que era algoque eu me considerava horrível. Esse passo é importante, pois tudo no nosso modo de vida está interligado, e quanto mais industrializados comemos, maior a dependência das grandes empresas, pioramos nossa saúde (depois pra tratar, tome big farma), engordamos (depois muita gente vai a redes de academias pra tentar emagrecer), etc. Isso pra mim foi um dos maiores passos e um que mais me fez bem. Ainda descobri que tem uma feira da roça mais ou menos próxima de mim, e compro várias coisas lá agora.
  • no supermercado, comecei a experimentar marcas nacionais e, preferencialmente, menores e gostei de muitas. Descobri até umas marcas locais (eu preconceituosamente nem imaginava que tinha alguma espécie de indústris na minha cidade de interior). Acabei gostando de muitas das marcas que testei. Também fiz substituição de alguns produtos, como detergente por sabão neutro em barra (gente, detergente é uma coisa muito inútil, de verdade)
  • No lado digital, eu já era usuário de software livre desde quase sempre, então já não tive muito o que mudar. Em relação a redes sociais, simplesmente parei de usar, exceto por essa. No início, ficava agoniado depois que via que tinha nada de novo por aqui e voltava pra outras redes em busca de "conteúdo". Essas merdas são como uma droga. A gente fica rolando o scroll infinito durante muito tempo e cansamos nossa mente com pouca coisa verdadeiramente útil, e nem conseguimos fazer tarefas complexas depois. Quando parei, tive até sintomas de abstinência, a agonia era muito grande, e só consegui aliviar e esquecer das redes depois que coloquei outras coisas pra ocupar o tempo que passou a sobrar na minha vida. Mais uma vez, a questão toda é uma conjuntura, tentar diminuir a dependência só de um lado é mais difícil do que em tudo ao mesmo tempo. Hoje também nem tenho mais vontade de usal qualquer rede mainstream ou de passar mais tempo online. Não me faz falta, era uma ilusão de necessidade -Tem serviços como youtube, que não tem alternativa e que o povo coloca tudo lá. Não sou 8 ou 80, nem purista. Quando preciso de algo, pesquiso e assisto, mas não fico lá vendo recomendações ou "consumindo conteúdo". Vejo o que preciso e vou embora. E falando em purismo, mesma coisa com marketplaces. Se precisar de algo que não tiver em mais lugar nenhum, não vou me privar, é algo ocasional, uma vez a cada sei lá quantos meses
  • Em relação a eletrônicos, também não há alternativa na maioria dos casos. O que faço é evitar comprar novos ao máximo e quando precisar, buscar marcas menos piores. Pra ter ideia, meu celular usa micro usb ainda. Uso ele com um sistema lineageos, uso apps foss pra tudo que posso e não sinto a menor necessidade de ter um aparelho novo
  • Com o tempo livre que passei a ganhar, comecei a uma pós graduação e venho me dedicando a projetos do curso, e também passei a me dedicar a novos hobbies artísticos. Isso é importante, porque é preenchendo nossa vida com atividades novas que nos libertamos de verdade de velhos costumes. Curiosamente, mesmo saindo mais, não fiz novas amizades, e ainda tenho perdido umas antigas. isso foi minha únic afrustração, porque pensei que nesse novo estilo de vida teria mais e melhores amizades. Está realmente difícil ter amizades e ver as pessoas "do lado de fora" da economia de atenção é muito estranho, mas isso fica pra outro momento, porque já escrevi demais sem querer, espero não te assutar com o textão kkk

Bom, não sei se é o que esperava ou se achou tudo muito trivial, mas essa foi minha experiência e as coisas que lembrei de cabeça agora. Se quiser perguntar algo mais específico, fique à vontade

 

Tenho já há algus anos o costume de adicionar informação ao openstreetmaps, principalmente localização de pontos de comércio, praças e locais de interesse. Mas com frequência, fico me perguntando se as pessoas realmente utilizam esses dados, ou se estou "perdendo meu tempo" com isso. Vocês já usaram, ou conhecem alguma pessoa ou instituição que use?

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 6 points 1 week ago

Guardar seu estoque secreto de biscoitos goiabinha pra ninguém pegar, porque vão pensar que são canetas ali dentro.

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 3 points 1 week ago (2 children)

Tenta sabão neutro esfregando com escova de dente velha. Tem que enxaguar com bastante cuidado, usando um pano molhado, pra não molhar o restante.

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 4 points 1 week ago (1 children)

Será que já rodaram doom no hurd?

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 1 points 1 week ago

No caso da tesla, é só ela que perde mercado na europa. A venda de carros elétricos está crescendo bastante, já ultrapassou a de carros a combustão, e as outras marcas, principalmente chinesas, têm tido até recordes de vendas. Então parece ser algo específico com a marca. Esse segundo efeito que comentou, se entendi bem, não apresentaria diferenciação entre marcas, creio eu.

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 6 points 1 week ago (5 children)

É uma forma eficiente de protesto, só bastante difícil de organizar e subestimada pelas pessoas. Pra dar certo, o boicote não pode ser meramente uma "trend" de rede social, mas uma mudança cultural. Quando isso acontece, não tem volta. Pode até não mudar muita coisa na hora, mas faz bastante efeito a longo prazo. Veja por exemplo a rejeição cultural que a tesla está sofrendo na europa. Nem é um boicote explicitamente organizado, mas mais algo como um comportamento emergente, e já fez a empresa perder cair em mais de 40% nas vendas no ano passado. Se continuar assim, vai ficar inviável se manterem no mercado europeu

O problema também é que as pessoas esperam algo muito rápido dos boiotes, e pra efeito rápido essa não é uma boa abordagem. Só mesmo a greve geral tem efeito rápido, como já comentaram aqui, mas não pode ser simplesmente uma paralisação e pronto. Tem que ser organizada e com um conjunto de pautas antecipadamente comunicadas.

Pra mim, toda forma de protesto é válida, e incentivo todas. Em relação a boicote, já não compro praticamente nada das grandes marcas, e o melhor disso é justamente a questão que falei das mudanças culturais. Minha vida melhorou depois de abandonar as grandes empresas, e não quero mais voltar atrás. Percebi que não preciso da maioria delas.

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 2 points 1 week ago* (last edited 1 week ago) (1 children)

Vi também o relato de um professor universitário que deixou os alunos usarem ia na prova, mas a maioria não usou. Não consigo achar mais o link

Edit: por coincidência, alguém postou o texto que mencionei: https://lemmy.eco.br/post/20488367

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 1 points 1 week ago* (last edited 1 week ago) (1 children)

Não imaginei algo diferente disso, mas imaginei algo no sentido de não se importarem em como as pessoas usam o celular e não quererem perder tempo e dinheiro investindo em bloqueios. Mas não sabia que ganhavam com adware, então tem sentido em quererem restringir a remoção do sistema de fábrica.

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 1 points 1 week ago (3 children)

Tenho visto isso e ficado bem triste. Até pensei que fabricantes chinesas poderiam ter uma perspectiva diferente, mas nada. De um lado, a google restringindo uso de custom rom, fechando aos poucos o android e transformando o celular cada vez mais numa máquina de vigilância, agora a xiaomi trabalhando pra impedir totalmente o uso de sistema que não seja o de fabrica. Daqui a pouco, fabricantes menores seguem o caminho e acabou.

Como se isso não fosse suficiente, empresas e serviços cada vez mais vão requerindo uso de celular e impedindo uso de computador ou outro dispositivo. Até mesmo o gov br já vem dando uns passinhos pra necessitar de 2fa com celular pra ter acesso.

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 1 points 1 week ago (1 children)

Recomendo usar a comunidade do servidor dbzero pra discussões envolvendo pirataria: !pirataria@lemmy.dbzer0.com

Isso é pra evitar que o servidor aqui venha a sofrer qualquer tipo de ação judicial e faz parte da regra 1 do servidor

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 6 points 1 week ago* (last edited 1 week ago)

O que aconteceria é que encheriam linguiça ou usariam ia pra "bater a meta" e passaríamos a ter um monte de coisa pra ler, mas sem conteudo, só cansando mais a nossa mente e sem benefício real

[–] nossaquesapao@lemmy.eco.br 3 points 2 weeks ago (1 children)

O reddit foi mercantilizado em todos os sentidos. Quase tudo lá hoje é artificial e tem muitos grupos que o usam especificamente com o intuito de manipular opinião alheia, fora os "experimentos" que fazem por lá, como os recentemente noticiados, sobre uso de chatbots disfarçados de usuários

 

Já passei por esse problema aqui em casa e a solução que encontrei foi desabilitar o servidor dhcp do roteador e instalar um servidor dhcp num pequeno servidor que tenho ligado na rede, apontando então o dns pro servidor local, que roda no mesmo aparelho.

Ok, funciona relativamente bem, mas não é nada prático pra maioria das pessoas e ainda requer ter um equipamento adicional ligado. Frequentemente alguém me pede ajuda com isso e não sei mais como orientar. Antes eu colocava o dns do adguard no roteador do povo e era só alegria, mas desde que a maioria dos provedores por aqui passaram a não permitir mais isso, complicou.

Como vocês fazem por aí? Ainda há algum método simples pra isso?

 

Ainda não é algo totalmente transparente, pois não tem o consumo em Wh, mas já ajuda a ter uma noção, apesar da possibilidade de mascaramento com essa questão de carbono, alegado compensações aqui e ali.

 

R$ 10.358.764.380,55 é o valor gasto apenas entre jun. de 2024 e jun. de 2025 pelo setor público brasileiro nas três esferas com licenças de software, soluções de “cloud”, aplicações de segurança e serviços similares oriundos de corporações estrangeiras somando serviços e materiais segundo Painel de Preços

Este valor seria suficiente para pagar bolsas CAPES/CNPq pelo mesmo período para todos os pós-graduandos do país, não apenas os bolsistas Este valor seria suficiente para sustentar integralmente uma universidade com o porte da Universidade de Brasília (UnB) por 4 anos e meio

Esses são alguns dos dados de um relatório publicado recentemente a partir de uma pesquisa realizada por grupos da USP e UnB, que pode ser acessado pelo link da postagem. Vale a pena uma leitura.

 

Simplesmente estão vendendo por 40 dólares um objeto de ferro pra colocar na comida enquanto se cozinha e já captaram fundos de várias entidades pra sustentar o projeto.

 

Só eu achei isso muito distópico?

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