this post was submitted on 19 Feb 2026
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Brasil
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Tem lugar que nem aceita mais dinheiro vivo, muitas vezes porque só tem autoatendimento.
Exemplo: Rede Frango Assado em beira de rodovia, um dia passei raiva lá, tinha só aquele caixa de autoatendimento que não tem onde enfiar nota de papel-moeda, aceitando só Pix e cartão. E Pix depende de internet, e a rede móvel estava sem sinal, e Wi-Fi aberto da loja exigia login com Facebook, e eu não estava com o cartão. Resultado: passei vergonha e deixei as coisas lá porque não tinha meios de pagar.
Os lugares que ainda aceitam papel moeda, só faltam enviar o dinheiro pra análise do banco central, de tanto que ficam virando e revirando a nota e fazendo o cliente parecer um golpista pra quem tá na fila esperando pra ser atendido. E nem sempre tem troco.
Ah, e sem contar como agências bancárias físicas vem sendo cada vez mais reduzidas, redirecionando pro "internet banking". Tem o tal do "Pix saque", sim, mas na prática? Eu particularmente nunca vi funcionando ainda.
Até por isso tenho tentado trocar o meu dinheiro o máximo possível.
P.S.: agora que reparei, você menciona caixas de autoatendimento. Mas alguns deles aceitam dinheiro também, não? Nas rodoviárias da minha cidade, ao menos há uns que sim, aceitam dinheiro vivo.
Que pesadelo...
Com “deixar as coisas lá” você quer dizer deixar o seu pedido ou deixar as suas coisas pessoais como forma de pagamento? Just kidding. Entendi no contexto, mas é que você falou que era um restaurante em beira de estrada, imaginei esse tipo de situação, enfim...
Mas quem deveria estar com vergonha eram eles por perderem o cliente por serem uns exclusivistas do caralho. Fique de boa. Nesses lugares a gente só vai e dá meia volta.
Tenho sorte de ser atendido por pessoas que acreditam ainda na credibilidade do dinheiro em papel. Raramente isso acontece, até porque não ando com notas muito altas.
Aí vem a questão que comentei no início deste comentário. Quando saco dinheiro, tenho de trocá-lo o mais rápido possível com o perigo de não poder utilizá-lo no futuro. Às vezes vou ao mercado comprar alguma coisinha (eles nunca chiam por trocar o dinheiro), às vezes vou à banca de jornal (o banquista é sempre gente fina).
E vamos de aberração do sistema bancário brasileiro que quer ser ultradigital em um país onde o telefone celular atuaiizado é raridade e onde a internet não é um bem público, dotado de soberania sobre os dados locais...
@zenpunk@lemmy.eco.br
A sorte é que eu não tinha "consumido" nada ali, era produto de varejo tipo salgadinho Fandangos, isotônico Powerade, aquele Nescafé cappucino pronto e coisa similar pra levar pra comer... Senão eu tava é ferrado, teriam que chamar a Polícia e o escambau. haha
É raríssimo ver esse tipo de totem (autoatendimento). Pra um totem lidar com dinheiro físico, tem todo um mecanismo necessário (verificar se o que está sendo inserido é dinheiro de verdade mesmo, que tipo de nota que é, etc..., depois tem o transporte de valores envolvido, pessoal de serviços como Brinks e Prossegur tendo que fazer a retirada do lote, mó dor de cabeça) que sai mais caro o molho do que o peixe. Então pra corte de custos e de dor de cabeça (pra pessoa dona do comércio), geralmente se usa totem que só lida com pagamentos eletrônicos, Pix, cartão de crédito ou débito (às vezes até limitado a bandeiras como Visa e MasterCard, sem aceitar Elo e afins), Mercado Pago, PicPay, etc, às vezes vale-alimentação... E basicamente só. Aí gera situações onde, se tudo tiver com problema (como vira e mexe tem problema com AWS afetando o sistema do Pix e de gateways de pagamento simultaneamente), a pessoa tem que largar as coisas porque não tem como efetuar o pagamento.
Pois é... E fora a dependência de ter uma operadora, Vivo, Claro, Tim, Sercomtel... E a necessidade de ter que ficar botando crédito todo mês senão vai-se embora o número de telefone e toda uma vida digital porque email geralmente exige o número de celular e WhatsApp exige número de celular e até coisa do governo exige número de celular.
Com a adoção cada vez maior de meios digitais de pagamento, não só pelos comerciantes mas também pelos consumidores, a tendência é cada vez mais escassez. Escassez essa que já existe com lugares "pagamos para trocar moedas" (um aviso que notei em vários lugares que já fui, inclusive supermercados) porque tão precisando urgentemente de moedas e tal, só que ao mesmo tempo .
Certamente deve ser isso. Porque notas acima de 10 reais já começa a gerar suspeita. E pra piorar, caixa eletrônico de banco há um tempo tem tido só notas altas (20, 50, 100, 200)
Ufa! Ainda bem... Pergunto porque já passei pela situação de fazer um pedido de comida perecível e realmente ter alguma dificuldade com o pagamento.
Adorei essa expressão! 😂
Ainda não presenciei esse recurso em ação. Atento pela próxima vez em que eu for nesses mercados de estrada ou de bairro nobre...
Eu pelo menos voltei mais a fazer mais chamadas até para evitar o uso de Whatsapp. Pagar uma taxa pelos créditos para mim é até algo necessário...
Essa frase pareceu incompleta. Ou é assim mesmo?
Isso sim é bizarro. Sempre tenho que fazer um cálculo para que venha o mínimo de notas de 50 possível. Antigamente ao menos davam-nos opções de retirada de cédulas. Agora só despejam as cédulas da forma que for possível. Quase que pra despachar logo o cliente...
@zenpunk@lemmy.eco.br
Eita! Acabei que na edição da mensagem (pra encaixar no limite de caracteres) apaguei um trecho e não percebi.
O que eu tinha originalmente escrito ali era que: os supermercados e similares tão precisando urgentemente de moedas e tal, até pagam (dão desconto) se a pessoa pagar um valor grande em moedas, mas ao mesmo tempo eles têm esse preconceito com dinheiro vivo, aí complica o intuito deles de conseguir ter troco.
A tela/interface varia bastante: em alguns totens pode aparecer explícito como menus principais de pagamento ("Cartão de débito, Cartão de crédito, VA/VR, Pix, Mercado Pago, PagBank, PicPay..."), noutros agrupam em submenus ("Cartão, Pix, Carteiras digitais") com a opção de carteiras digitais à parte, porque é mais raro de ser usado pelas pessoas.
Essa disposição de menus vai depender do sistema PDV (Ponto de Venda) que está em operação e de qual empresa de automação comercial desenvolveu o PDV.
Já o pagamento por carteira digital, quando em ação, é praticamente igual ao Pix: o totem gera um QR Code, quase igual do Pix, mas cujo pagamento ocorre direto através de uma fintech específica (é, no fundo, um sucessor espiritual daquela antiga funcionalidade de transferência entre contas da mesma instituição).
Geralmente a única vantagem é o cashback (que não se vê, ou é mais difícil de se ver, para Pix), porque de resto é igual, até a instantaneidade da coisa.
Mas, você vê, e aí entra o ponto lá do início: os comércios e software houses preferem investir em uma funcionalidade que poucos usam (Carteira digital) mas não em um sistema mecatrônico para aceitar pagamento em dinheiro vivo, mecanismo que, como citei anteriormente, é mais difícil de se presenciar em totens do tipo.
Bradesco parece que ainda dá essa possibilidade de escolher individualmente cédulas, mas depende de quais cédulas têm no caixa eletrônico atual. Me referia ali mais à disponibilidade geral dos caixas, aquilo que aparece na tela principal "Notas disponíveis: 20, 50, 100" por exemplo.
Pior é que as pessoas associaram "ligar/chamada" à função VoIP do WhatsApp: "Pode me ligar?", "posso, 1 min", daí vem a tela de chamada do WhatsApp e não do sistema-telefone. Junto com o modo "Não perturbe" que as pessoas acabam ativando porque colecionam trocentas notificações na gaveta de notificações do Android, ao tentar efetuar uma chamada telefônica é quase certeza de cair num "esse número está configurado para não receber chamadas", ou tocar até cair na caixa postal.
E piorou tentar recomendar às pessoas que não querem ou não podem lidar com chamada telefônica, os meios alternativos ao WhatsApp, como XMPP, SimpleX e Matrix.
Antes de tudo, dei uma passeada no seu perfil, e que plataforma linda, hein? É tipo um Akkoma turbinado...
Estranho mesmo. É a lógica do mercador: vende o máximo para investir o mínimo.
Mais estranho ainda é o movimento recente de adoção de dinheiro vivo. (Perdão mandar link com muro cobrador, mas é que eu só encontrei essa informação nessa matéria que estava primeiramente em versão impressa).
Que nunca chegou ao Brasil inclusive, não é? Ou estou enganado? Nunca vi totem para dinheiro. No Japão isso é comum, pelo que sei.
Um inferno isso. Minha mãe só atende chamada pelo Whatsapp. Não entendo como não toca pela linha direta, mas pelo mensageiro, sim.
Ligação telefônica e mensageiro alternativo, os dois a 80 km/h, qual dos dois ganha na corrida de comunicação alternativa?
Pois eu fico remexendo e revirando o troco da mesma forma, só de raiva kkkkkkkkkkkk
Mas é algo que me preocupa também. Estamos aumentando nossa dependência cada vez mais de tecnologias que são falhas. Basta uma pane energética ou de comunicação de internet, pra tudo virar o caos, sem qualquer alternativa. Isso pra mim é loucura. pelo menos moro numa cidade de interior e aqui ainda se usa bem o dinheiro físico, mas já estão chegando essas bostas de autoatendimento aos poucos...
Outra coisa complicada do dinheiro virtual é o uso por crianças. Com dinheiro físico você pode simplesmente dar um dinheiro pra criança comprar um lanche na escola ou algo assim, mas com virtual faz como? Vai dar celular com aesso a conta bancária? cartão de crédito? Inclusive, já tem aparecido na mídia umas notícias de golpes desse tipo: https://www.agazeta.com.br/es/policia/crianca-compra-acai-de-r-24-em-vila-velha-e-mae-recebe-fatura-de-r-650-0226
tudo isso fora as quesões de privacidade, né. Estamos nos deixando levar por uma pequena comodidade e dando poder pra nos explorarem ainda mais. As diferentes tecnologias pdoeriam muito bem conviver, mas estão tratando uso de tecnologias como uma disputa num tabuleiro de war
@nossaquesapao@lemmy.eco.br
É uma ideia massa. rs
Justo, até, porque vai que o comércio está voltando troco em nota falsa? Algo que, inclusive, já ouvi relatos, vários.
Eu era do interior de SP, região de Ribeirão Preto, depois fui pra Jundiaí, e em ambos os interiores, já observava tendência de digitalização, sobretudo na pandemia. Que, aliás, foi uma das forças motrizes para o fechamento de inúmeras agências bancárias, redução do uso do papel-moeda (por ser um vetor pra patógenos, inclusive SARS-CoV-2). Se não me falha memória, foi nessa época também que acabaram com pessoa cobradora de ônibus em Sampa, e centralizaram mais no Bilhete Único. Não dá pra dizer que a pandemia findou, mas houve, por exemplo, o RTO (retorno ao escritório). Mesmo assim, toda aquela digitalização da quarentena acabou permanecendo. Muitos "Terceiros Lugares", como shopping center, enfraqueceram/fecharam após a pandemia por conta do comércio digital. Religiões abraçaram culto/missa/gira/rituais/etc online. Até ensino público (como o Centro Paula Souza com a ETEC e a FATEC) adotou mais o EaD via Micro$lop Teams e Moodle durante e pós pandemia.
Quando mudei pro interior mineiro, achei que a vida aqui seria muito mais simples e respirável, menos dependente do digital, por ser mais rural. Ledo engano: embora, sim, exista um comércio físico relativamente ativo, mineirxs usam bastante o Pix, mais até que cartão. Aluguel é pago por Pix, apps de carona regionais (concorrentes locais da Uber) também são geralmente Pix, pra Área Azul põe crédito via Pix, enfim... praticamente tudo é Pix por aqui. Única coisa que, por enquanto, é só dinheiro, é ônibus circular, mas já existe toda uma estrutura para, se não migraram ainda, migrarem pro Pix (porque o dinheiro compra um cartão NFC que é passado e depositado lá na catraca).
Já é meio que automático das pessoas, quando questionadas da forma de pagamento, "é o meu celular" ou "é esse CNPJ" (chaves Pix). É mais sitiante que às vezes se vê pagando as coisas em dinheiro, mas também têm costume de usar Pix.
Pior que não tinha pensado nisso, exatamente! Até existe conta para menor de idade (lembro de ter visto propaganda de fintech nesse sentido) mas, é como você falou, dar conta bancária na mão de criança é pedir pra cair em golpe. E com esse lance de "validação de idade" passando no mundo todo, incluindo países (Austrália) e estados (Arizona) onde estão banindo (ou querendo banir) totalmente o uso de celulares por menores de idade, cria-se uma situação de dissonância cognitiva onde a sociedade exige meios digitais até pra respirar, enquanto proíbe menores de acessá-los.
Como diz o ditado, quem busca segurança e comodidade acaba ficando sem os dois.